Fonte: Medpage Today
Autora: Emily P. Walker
Tradução e Edição: Daniel Augusto Corrêa Vasques
LAS VEGAS - Um paciente com diabetes sentado no consultório de sua médica enquanto ela lhe informa que seu nível de glicose no sangue era alarmante.
Um viciado em drogas em recuperação entrou em uma festa em casa e foi recebido por um cara jovem e simpático bolando um baseado, convidando-o para sair para fumar.
Um soldado com estresse pós-traumático de repente se vê de volta no Iraque, dirigindo um Humvee ao longo de uma estrada deserta em uma missão quando uma bomba explode.
Todas as três cenas ocorrem em um sistema computadorizado de realidade virtual, mas assustadoramente realista, apresentado aqui na conferência da Sociedade de Informações de Saúde e Sistemas de Gestão (HIMSS) durante uma sessão sobre como a realidade virtual pode ser usada em um ambiente clínico.
Embora a realidade virtual seja bastante popular para o tratamento de TEPT e está ganhando força como um tratamento para dependência de drogas, ainda não "vingou" para uma ampla gama de condições, disse Ivana Steigman, MD, PhD, Diretora Médica da Thrive Research, uma empresa com base na Califórnia que desenvolve programas on-line e que visa a melhorar a saúde comportamental.
"Podemos entrar em uma realidade virtual que é um mundo diferente, seja ela um campo de batalha ou um quarto de hospital", explicou Steigman durante uma sessão de ontem de manhã sobre mundos virtuais e de saúde.
Uma vantagem de usar a realidade virtual para fins clínicos, disse ela, é que os pacientes podem criar um avatar - uma representação computadorizada de si mesmos - que interage em um ambiente virtual, podendo agir de uma maneira que os pacientes não agiriam na vida real.
"É uma plataforma para experimentar", disse Brian Levine, da SAIC, empresa que faz o programa de realidade virtual chamado OLIVE (compatível com a HIPAA, que regula os planos de saude nos EUA)
"Experimentar" poderia incluir um soldado tentando superar seu medo de explosões ruidosas, direcionando seu avatar para dirigir um Humvee em uma missão no Iraque ou mesmo indo em uma viagem à mercearia onde pode cair uma prateleira com um barulho alto parecido com explosões. Em ambos os casos, os médicos iriam monitorar as reações do soldado e falar sobre suas respostas aos ruídos altos.
A tecnologia de realidade virtual tem valor imenso em ajudar adictos em recuperação, Steigman disse. Um terapeuta trabalhando com um viciado em drogas nunca iria "provocar" essa pessoa, por exemplo, com uma garrafa de bourbon na mesa à sua frente, ela disse.
Mas em um mundo computadorizado, como revelado durante uma sessão em HIMSS, o paciente pode caminhar para um ambiente de festa que tem garrafas de bebidas alcoólicas, canudos e bongs, baseados e agulhas espalhadas. O terapeuta pode controlar a forma como o avatar do paciente reagiu ao ambiente, o que pode orientar o rumo da conversa em sua próxima reunião.
Outro uso da tecnologia virtual que ganhou alguma atenção no mundo da medicina é um jogo chamado SnowWorld, que é um mundo virtual projetado especificamente para aliviar a dor de pacientes com queimaduras.
SnowWorld é um mundo gelado virtual onde o jogador atira bolas de neve em bonecos de neve, iglus e pingüins. Pacientes colocam um capacete e jogam o jogo durante procedimentos dolorosos, como as trocas de curativos. Os primeiros estudos mostram que o jogo é como uma distração. Pacientes com queimaduras relataram significativamente redução dos níveis de dor e imagens do cérebro mostraram menos atividade nas regiões de dor do cérebro.
Embora a tecnologia de realidade virtual esteja apenas em sua infância no contexto clínico, Steigman disse à MedPage Today que ela espera que em breve será uma ferramenta mais comum para uso em uma ampla gama de condições de comportamento, incluindo fobias, vícios, distúrbios de ansiedade, e TDAH, bem como doenças neurológicas, como distúrbios do equilíbrio, doença de Alzheimer e paralisia cerebral.
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