domingo, 4 de março de 2012

Perguntas e Respostas Sobre ECT

A Eletroconvulsoterapia (ECT) consiste em um tratamento em que uma carga elétrica é aplicada na cabeça do paciente com o intuito de induzir uma crise convulsiva e assim tratar alguns transtornos psiquiátricos.

As perguntas e respostas a seguir foram extraídas do site ECT.

Questoes mais freqüentes:


O eletrochoque nao é um tratamento ultrapassado?


Muitas pessoas ficam surpresas quando descobrem que ainda se faz eletrochoque na atualidade. Infelizmente, há um grande desconhecimento por parte de muitos e um preconceito por parte de alguns a respeito da eletroconvulsoterapia (antigamente conhecida como eletrochoque). Correntes do tipo " antipsiquiatria" insistem em criticar os procedimentos psiquiátricos, correndo-se o risco de privar os pacientes de tratamentos adequados e humanos.
A eletroconvulsoterapia (ECT) foi o primeiro tratamento comprovadamente eficaz para transtornos psiquiátricos. Surgiu no final dos anos trinta (enquanto que as principais medicaçoes psiquiátricas surgiram nos anos cinqüenta) como um possível tratamento para a esquizofrenia. Contudo, com o passar do tempo, observou-se que era muito mais eficaz para o tratamento da depressao. Com o surgimento das medicaçoes, pensou-se que a ECT viria a se tornar obsoleta (como aconteceu com outros tipos de tratamento como a insulinoterapia e a induçao de febre malárica). No entanto, após a difusao do uso de medicaçoes, observou-se que estas possuíam várias limitaçoes (longo tempo para o início da açao, efeitos colaterais) e que, em alguns casos nao eram capazes de remitir o quadro. Após um tempo de declínio no uso da ECT, este foi retomado e a técnica bastante aprimorada. Surgiram aparelhos modernos que permitem um controle preciso da carga fornecida, introduziu-se a anestesia geral com relaxamento muscular e oxigenaçao, além de monitorizaçao detalhada das funçoes vitais durante o tratamento.
Nos Estados Unidos, aproximadamente 50.000 pessoas por ano recebem tratamentos com ECT. Taxas semelhantes ocorrem em outros países desenvolvidos. No Brasil nao há estatísticas a respeito do seu uso.


O eletrochoque nao é um tratamento agressivo?


Deve-se esclarecer o que se entende por "agressivo". Em geral se faz referencia a certo grau de "invasao" do procedimento no corpo do paciente. Nesse sentido, procedimentos como cirurgias gerais e neurocirurgias sao tratamentos podem ser chamados "agressivos". Em comparaçao com estes procedimentos médicos, a ECT é muito menos "agressiva", pois, como nas cirurgias, os pacientes recebem o "choque" sob anestesia e, de forma diferente das cirurgias, nao há seqüelas ou cicatrizes, havendo uma recuperaçao total.

O eletrochoque nao é uma punição?

O choque elétrico já foi utilizado de forma errada. Outros procedimentos médicos e odontológicos também já foram utilizados para fins escusos (basta citar a tortura, por exemplo). Infelizmente, técnicas boas e terapeuticas sempre correm o risco de ser utilizadas para o mal. Na atualidade, a utilizaçao de conhecimentos médicos (incluindo as técnicas de ECT) para outros fins que nao o terapeutico é considerada um crime que deve ser punido conforme a legislaçao.

O eletrochoque nao é um tratamento para pessoas loucas e violentas?

Como já explicado anteriormente, a principal utilidade da ECT é nos transtornos depressivos. Nestes, os pacientes nao estao nem "loucos" nem " violentos". Pelo contrário, as suas funçoes psíquicas estao lentificadas e o seu comportamento "calmo em excesso". Alguns pacientes vulgarmente chamados "loucos" (tecnicamente chamados "psicóticos", ou seja, que apresentam alucinaçoes e delírios) podem também se beneficiar com o tratamento com ECT. Comportamentos violentos nao sao, comumente, uma indicaçao para o uso da ECT.


O eletrochoque nao queima o cérebro?


Deve-se ter em mente que a técnica para a utilizaçao da ECT evoluiu muito nos últimos anos. Continuando com a comparaçao com outros procedimentos médicos, nao se pode comparar uma cirurgia que é realizada atualmente com a que era realizada há 50 anos atrás. No caso da ECT, os aparelhos utilizados inicialmente forneciam cargas freqüentemente muito acima do que era necessário. Além disso, nao se utilizava anestesia nem oxigenaçao. Por este motivo, alguns pacientes tinham crises muito longas e corriam o risco de sofrer uma anóxia (diminuiçao da quantidade de oxigenio ) cerebral, possivelmente com lesao. Na atualidade este risco é inexistente e todas as pesquisas sobre o assunto comprovam que nao há nenhum tipo de lesao permanente do cérebro.


O eletrochoque nao dói?


Para se evitar qualquer tipo de dor é utilizada a anestesia geral de curta duraçao (pois o tratamento dura poucos segundos).
Para que se obtenha a convulsao, a carga deve ter uma intensidade suficiente para atingir o que se chama limiar convulsivo. Este limiar varia muito de pessoa para pessoa, sendo que alguns precisam de cargas maiores e outros, menores. Caso, em uma aplicaçao, nao se atinja a carga suficiente, haverá o que se chama "crise frustra". Se nao estivesse sob efeito de anestesia, o paciente sentiria dor quando houvesse uma "crise frustra".

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