quinta-feira, 15 de março de 2012

Workshop Terapia Relacional Sistemica




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quinta-feira, 8 de março de 2012

A nova face das drogas de abuso - Parte 1

Fonte: Medscape
Tradução e Edição: Daniel Augusto Corrêa Vasques






Nota do Editor:

O abuso de drogas continua sendo um importante problema de saúde pública mundial, visto que as pessoas continuam a usar e abusar das drogas "da velha guarda", como álcool, maconha, cocaína e opiáceos. No topo das notícias ultimamente, no entanto, têm estado substâncias que atraem novos usuários potenciais com promessas de "baratos bons" e de fácil acesso através da Internet.

Os médicos precisam estar cientes das tendências emergentes no consumo de álcool e de outras drogas, especialmente se eles não estão atualizados sobre as novas drogas recreativas em cena em suas próprias comunidades.

Como podem os médicos a identificar e gerenciar a "nova face das drogas de abuso"? Este artigo fornece aos provedores de cuidados de saúde uma introdução rápida para os desafios colocados por pacientes clínicos usando e abusando de substâncias novas.

Imagens cortesia de Wikicommons e Getty Images / Thinkstock



Sais de Banho - MDPV, mefedrona (Rosenbaum CD, et al.)


O que são essas drogas?


"Os sais de banho" podem vir na forma de um pó branco ou de cristais para adicionar à água do banho, mas o termo realmente refere-se a anfetaminas e catinonas (derivados sintéticos do estimulante encontrado na planta khat) que são vendidos em embalagens clandestinas para evitar a detecção por agentes da lei. MDPV e mefedrona frequentemente são os compostos ativos, com efeitos semelhantes aos do ecstasy (MDMA). Termos de rua encontrados referentes aos nomes de produtos incluem drone, bolhas, miau miau, MCAT, Ivory Wave (Onda de Marfim), Vanilla Sky, Cloud 9 (Nuvem 9), Red Dove (Andorinha Vermelha), White Rush (Aceleração Branca).


Quem corre maior risco?


A utilização é mais prevalente entre os adolescentes e adultos jovens que desejam evitar a detecção de drogas, enquanto desfrutam o que costumava ser um "barato legal." Antes de os agentes do DEA (Drug Enforcement Administration) agirem para tornar os sais de banho ilegais em setembro de 2011, essas substâncias eram vendidas em postos de gasolina, lojas de conveniência (lojas de varejo de drogas e parafernálias), e lojas de discos. Os usuários ainda podem comprar os produtos on-line.

Imagem cortesia de New Jersey Divisão de Defesa do Consumidor





Apresentação Clínica

Efeitos simpaticomiméticos (pulsação elevada, por exemplo, e aumento de pressão arterial; sudorese, agitação, e, com uso de longo prazo, características psicóticas) podem predominar.

Disponibilidade de monitoramento/dosagem

Catinonas não aparecerão nos imunoensaios padronizados para drogas de abuso (DOA). Anfetaminas podem ser detectadas com imunoensaio DOA, e ambas as substâncias são detectáveis ​​através de análiseespectrometria de massa com cromatografia gasosa(GC-MS).


Resumo de Manejo dos Pacientes


A abordagem inclui medidas de suporte. Os benzodiazepínicos são úteis para agitação e psicose. Os pacientes que usaram anfetaminas como MDMA podem apresentar sintomas serotoninérgicos que requerem cuidados de suporte ou tratamento com benzodiazepínicos ou ciproheptadina. Pacientes com agitação intensa e alterações de sinais vitais podem exigir um acompanhamento intensivo.

Imagens cortesia da Getty Images / Thinkstock e Wikicommons




Alternativas herbais: maconha e canabinóides sintéticos (Rosenbaum CD, et al.)


O que são?

Estes "incensos" contêm matéria planta herbácea adulterada com canabinóides sintéticos e são normalmente fumados. Baybean (feijão da costa), feijão de praia, lótus azul, orelha/rabo de leão, dagga selvagem, índio guerreiro, e capacete de anão são exemplos de ingredientes à base de plantas. Canabinóides sintéticos incluem JWH-018/073/200, CP-47, 497, e RCS-4. Spice, K2, Chill Zone, Sensation, Chaos, Thunder asteca, Red Merkury, e Zen são algumas das marcas comuns.

Quem corre maior risco?

Os usuários normalmente variam entre 14 a 50 anos. Embora 5 canabinóides sintéticos sejam agora ilegais nos Estados Unidos, esses produtos ainda estão amplamente disponíveis em postos de gasolina e headstores e através da Internet, devido a reformulações para contornar a proibição federal. Militares e outros que são submetidos regularmente a testes de drogas (por exemplo, para a maconha) sabem que essas "drogas legais" podem ser indetectáveis.


Imagem cortesia de Wikicommons




Apresentação Clínica


Os efeitos clínicos incluem hipertensão, taquicardia, náuseas, vômitos, agitação, ansiedade, paranoia, convulsões e ideação suicida.

Disponibilidade de monitoramento

Canabinóides sintéticos são indetectáveis ​​usando imunoensaios padrão DOA dirigidos a tetrahidrocanabinol, o ingrediente ativo da cannabis. Análise por GC-MS pode identificar canabinóides sintéticos específicos na urina de um paciente, mas apenas em circunstâncias altamente restritivas.


Resumo do Manejo do Paciente


O manejo inclui medidas de suporte. Os sintomas são normalmente de curta duração (menos de 24 horas), mas em alguns casos foi necessária pressão positiva das vias aéreas em dois níveis e internação em unidade de cuidados intensivos por insuficiência respiratória (Rosenbaum CD. Dados não publicados).

Imagem cedida por Getty Images / Thinkstock



Salvia divinorum (Rosenbaum CD, et al.)

O que é?

Salvia divinorum, uma erva alucinógena, pertencente à família de hortelã, contém o alucinógeno salvinorina A. Tradicionalmente, os índios Mazateca de Oaxaca, México, mastigavam ou fabricavam Salvia divinorum como chá para facilitar encontros espirituais; só que agora está sendo utilizada para fins recreativos em todo o mundo. Salvinorina A se torna inativa após a ingestão; como resultado, os usuários que procuram um "barato" devem mastigar ou fumar as folhas.

Quem corre maior risco?


Os adultos jovens, adolescentes e qualquer pessoa com acesso à Internet que está interessada em evitar a detecção de drogas através deste "barato legalizado" (em alguns estados) são considerados de maior risco.


Imagem cortesia de Wikicommons




Apresentação Clínica

Os usuários relatam potentes efeitos alucinógenos tanto de olhos abertos como de olhos fechados. Ao contrário de outros alucinógenos, a salvinorina A não tem atividade serotoninérgica. Em vez disso, a sua afinidade para o receptor kapa opióide pode causar sedação, analgesia, hipomotilidade gastrointestinal, aversão, e depressão.

Disponibilidade de monitoramento da droga

Salvinorina A não é detectada por imunoensaios padrão DOA. Salvinorina A pode ser detectada na urina e saliva, através de análise por GC-MS.

Resumo Manejo de Pacientes


O manejo inclui medidas de suporte. Como a salvinorina A atua apenas nos receptores kappa opióides, em teoria, não deve causar depressão respiratória, apesar de ser prudente a monitorização respiratória.

Imagem cortesia de Wikicommons


Breve: Parte 2

terça-feira, 6 de março de 2012

Pais e filhos com TOC podem se inscrever em estudo do Hospital das Clínicas

O intuito é avaliar se distúrbio é hereditário e encontrar medidas de prevenção

Do R7

Publicidade

Criaças e adolescentes com TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) podem participar de uma seleção do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP para fazerem parte de um estudo, que visa encontrar uma prevenção para o distúrbio.

A ideia é ver se há relação entre o fato de os pais terem TOC, ou outros transtornos de ainsiedade, com a chance de seus filhos também terem os mesmos sintomas. Caso encontrada alguma semelhança, tentar encontrar formas de prevenção.

Podem participar pais com os transtornos comprovados por médico psiquiatra e que tenham filhos com idade entre 3 e 17 anos. Crianças nesta faixa etária sem a patologia, mas com irmãos que apresentem os sintomas, também podem participar.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, os interessados devem ligar para (11) 2661-7594 e deixar recado com nome, telefone e melhor horário para contato. Ou enviar email para priscilachacon@usp.br.




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Location:Av. Conselheiro Rodrigues Alves,São Paulo,Brasil

Ansiedade: Perguntas e Respostas

Por Dr. Antônio Egídio Nardi
Professor Adjunto do Instituto de Psiquiatria, Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Pesquisador do CNPq.
Coordenador do Laboratório de Pânico & Respiração - UFRJ
O que é ansiedade ?
A ansiedade é um sinal de alerta, que permite ao indivíduo ficar atento a um perigo iminente e tomar as medidas necessárias para lidar com a ameaça. Portanto é um sentimento útil. Sem ela estaríamos vulneráveis aos perigos e ao desconhecido. É algo que está presente no desenvolvimento normal do ser humano, nas mudanças e nas experiências novas e inéditas. A ansiedade permite a um ator que estreará uma nova peça, ensaiar o suficiente para ter maior segurança e, conseqüentemente, menor ansiedade; ou então que um jovem se prepare demoradamente e até com vários detalhes irrelevantes para um encontro amoroso. Após algum tempo, a preparação para o encontro com uma antiga namorada se torna quase desnecessária, já que não há mais ansiedade.
Como surge a ansiedade?
A ansiedade pode surgir repentinamente, como no pânico, ou gradualmente, ao longo do tempo, que pode variar de minutos a dias. A duração da ansiedade pode variar de alguns segundos a anos e sua intensidade pode variar do muito leve ao gravíssimo. A ansiedade pode ser aumentada por um sentimento de vergonha: "Os outros notaram que estou nervoso". Alguns ficam surpresos ao notarem que os outros não perceberam sua ansiedade ou não notaram a sua intensidade.
Como é a ansiedade normal?
A ansiedade normal é uma sensação difusa, desagradável, de apreensão, acompanhada por várias sensações físicas: mal estar epigástrico, aperto no tórax, palpitações, sudorese excessiva, cefaléia, súbita necessidade de evacuar, inquietação etc. Os padrões individuais físicos de ansiedade variam amplamente. Alguns indivíduos apresentam apenas sintomas cardiovasculares, outros apenas sintomas gastrintestinais, há aqueles que apresentam apenas sudorese excessiva. A sensação de ansiedade pode ser dividida em dois componentes:
a consciência de sensações físicas, e
a consciência de estar nervoso ou amedrontado.
Quando a ansiedade é anormal?
A ansiedade anormal ou patológica é uma resposta inadequada a determinado estímulo, em virtude de sua intensidade ou duração. Diferentemente da ansiedade normal, a patológica paralisa o indivíduo, traz prejuízo ao seu bem estar e ao seu desempenho e não permite que ele se prepare e enfrente as situações ameaçadoras.
Qual a diferença entre medo e ansiedade?
A diferença entre medo e ansiedade é questão teórica. Como citado anteriormente, a ansiedade é uma sensação vaga e difusa que nos leva a enfrentar com sucesso as situações agradáveis ou não. Já o medo, que também é uma reação normal, difere da ansiedade porque é ligado a uma situação ou objeto específico que apresenta perigo, real ou imaginário, e nos leva a evitá-lo. Um exemplo é o medo de assalto. Todos evitamos as situações que possam nos deixar mais vulneráveis.
O que é a fobia?
A fobia envolve uma ansiedade persistente, intensa e irrealística, em resposta a uma situação específica, como por exemplo altura. A pessoa fóbica evita a situação que desencadeie a sua ansiedade ou suporta-a com grande sofrimento. Entretanto, ela reconhece que sua ansiedade é excessiva e consciente que tem um problema. Uma fobia é caracterizada por:
Medo excessivo, imensurável de um objeto ou situação;
Comportamento de esquiva em relação ao objeto temido;
Grande ansiedade antecipatória quando próximo do objeto em questão; e
Ausência de sintomas ansiosos quando longe da situação fóbica.
O que causa uma fobia ?
Existem diversas teorias para o aparecimento de uma fobia como a psicanalítica, a comportamental, a existencial e a biológica.
Segundo as teorias psicanalíticas, a fobia é um sinal para o ego de que um instinto inaceitável está exigindo representação e descargas conscientes (sintomas de ansiedade ou fobias). A ansiedade desperta o ego para que tome medidas defensivas contra as pressões interiores. Se a repressão não for bem sucedida, outros mecanismos psicológicos de defesa podem resultar em formação de sintomas.
Segundo as teorias comportamentais, a fobia é uma resposta condicionada a estímulos ambientais específicos. Uma pessoa pode aprender a ter uma resposta interna de ansiedade após uma experiência negativa ou imitando respostas ansiosas de seu meio social. A teoria cognitiva da fobia sugere que padrões de pensamentos incorretos, distorcidos, incapacitantes ou contra-producentes acompanham ou precedem os comportamentos desadaptados. Os pacientes que sofrem de fobia tendem a superestimar o grau e a probabilidade de perigo em uma determinada situação e a subestimar suas capacidades para lidar com ameaças percebidas ao seu bem-estar físico ou psicológico.
De acordo com as teorias existenciais, as pessoas ficam fóbicas ao se tornarem conscientes de um profundo vazio em suas vidas. A ansiedade é a resposta a este imenso vazio de existência e significado.
Pelas teorias biológicas, a fobia é definida como uma função mental e essas teorias criam hipóteses para sua representação cerebral. Essas teorias são baseadas em medições objetivas que comparam a função cerebral de pessoas normais com indivíduos com fobias, principalmente através do uso de medicamentos ansiolíticos (tranqüilizantes). É possível que certas pessoas sejam mais suscetíveis ao desenvolvimento de um transtorno de ansiedade, com base em uma sensibilidade biológica. Os três principais neurotransmissores associados às fobias são a noradrenalida, o ácido gama-aminobutírico (GABA) e a serotonina.
Quais são os principais distúrbios de ansiedade?
Os principais distúrbios de ansiedade são: ansiedade generalizada, ansiedade induzida por drogas ou problemas médicos, ataque de pânico, distúrbio do pânico, distúrbios fóbicos (agorafobia, fobia social, fobia generalizada etc.), transtorno obsessivo-compulsivo.
O que é o distúrbio de ansiedade generalizada?
O distúrbio de ansiedade generalizada é a ansiedade e preocupação excessiva, quase que diária, sobre uma série de atividades ou eventos, e que dura 6 meses ou mais. A ansiedade e a preocupação são intensas e de difícil controle, desproporcionais à situação e podem ser sobre as mais diversas questões como dinheiro, saúde etc. Nesse distúrbio, pelo menos três dos seguintes sintomas estão presentes: inquietação, fatiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular e sono de má qualidade. O tratamento é realizado com a a associação de medicamentos (antidepressivos ou benzodiazepínicos) e psicoterapia comportamental.
O que é a ansiedade induzida por drogas ou doenças?
Neste distúrbio, a ansiedade é decorrente de problemas médicos ou uso de drogas lícitas ou ilícitas. As doenças que podem causar ansiedade são: infecções cerebrais, doenças do labirinto, distúrbios cardiovasculares (insuficiência cardíaca, arritmias), distúrbios endócrinos (hiper-atividade das glândulas tireóide ou supra-renal) e distúrbios respiratórios (asma, doença obstrutiva crônica do pulmão). Entre as drogas que podem causar ansiedade têm-se: álcool, cafeína, cocaína e diversas drogas medicamentosas. A ansiedade também pode ser causada quando se para de tomar determinados medicamentos ou drogas ilícitas.
Quais são os principais distúrbios fóbicos?
Os principias disturbios fóbicos são agorafogia, transtorno do estresse pós traumático, fobia social, fobias específicas.
O que é a agorafobia?
O termo "agorafobia" significa medo de lugares abertos. Na prática clínica designa medo de sair de casa ou de situações onde o socorro imediato não é possível. O termo, portanto, refere-se a um grupamento inter-relacionado e freqüentemente sobreposto de fobias que abrangem o medo de sair de casa, medo de entrar em lugares fechados (aviões, elevadores, cinemas etc.) multidões, lugares públicos, permanecer em uma fila, viajar de ônibus, trem ou automóvel, de se distanciar de casa e de estar só em uma destas situações. A agorafobia é uma complicação freqüente no transtorno de pânico, onde todas as situações temidas têm em comum o medo de passar mal e não ter socorro fácil ou imediato.
O que é a fobia social ou transtorno de ansiedade social?
A fobia social é o medo patológico de comer, beber, tremer, enrubescer, falar, escrever, enfim, de agir de forma ridícula na presença de outras pessoas. Uma característica importante da fobia social é a ansiedade antecipatória e o sofrimento durante a exposição.
O que são fobias específicas?
São fobias restritas a situações altamente específicas, como determinados animais, altura, trovão, escuro, espaços fechados, visão de sangue ou medo de exposição a doenças específicas. Apesar de a situação temida ser limitada, a iminência ou o contato com ela pode provocar um ataque de ansiedade aguda. Fobias específcias surgem na infância e podem persistir por toda a vida se permanecerem sem tratamento, como ocorre na maioria dos casos. O tratamento indicado é a terapia comportamental, com uso de técnicas como a dessensibilização ou "flooding", associadas a técnicas de relaxamento. Em alguns casos, o uso de benzodiazepínicos, por período limitado, pode ser útil.
O que é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático?
É um distúrbio de ansiedade que se desenvolve em pessoas que experimentaram estresse físico ou emocional de magnitude suficientemente traumática para um ser humano comum.
As principais características deste distúrbio são:
a re-experiência do trauma através de sonhos e pensamentos em vigília ("flash back");
torpor emocional para outras experiências relacionadas; e
sintomas físicos de ansiedade, depressão e dificuldades cognitivas.
A ansiedade e depressão estão comumente associadas e a ideação suicida pode ocorrer. Como exemplo, há as experiências de guerra, catástrofes naturais, estupro, acidentes sérios etc. Fatores predisponentes, como traços de personalidade ou presença de outros transtornos mentais, podem facilitar o aparecimento do transtorno ou agravar o seu curso, mas não são necessários nem suficientes para explicar a sua ocorrência. O início do quadro segue o trauma com um período de latência que pode variar de poucas semanas a meses, raramente excedendo a 6 meses. O curso é flutuante e a recuperação ocorre na maioria dos casos. O tratamento com psicoterapia de orientação psicanalítica, terapia cognitiva e a associação a psicofármacos, ansiolíticos ou antidepressivos, conforme a síndrome predominante, parecem trazer bons resultados.
O que é o transtorno-obsessivo compulsivo?
O Transtorno Obsessivo Compulsivo, ou simplesmente TOC, é uma doença crônica caracterizada pela presença involuntária e intrusiva de obsessões e/ou compulsões. Obsessões são pensamentos, sentimentos, idéias, impulsos ou representações mentais vividos como intrusos e sem significado particular para o indivíduo. As obsessões mais comuns são as de limpeza e contaminação (por sujeira e doenças), verificação, escrupulosidade (moralidade), religiosas e sexuais.
Fonte: Emedix

Location:São Paulo, Brasil

segunda-feira, 5 de março de 2012

Marcar Consultas Online

Cansado de ligar para o consultório do seu médico e deixar recado?

Não gosta de falar com a secretária do seu médico?

Tem dificuldades em marcar consulta?

Bem, por enquanto gratuitamente, seus problemas acabaram.

Acaba de ser lançado no Brasil o serviço de marcação de consultas online:

Go2Doc

Nesse site, se seu médico estiver cadastrado, você pode marcar sua consulta pela internet, sem a preocupação de não ter horário. Você marca com antecedência, e o sistema avisa seu médico.

Simples assim.

Se quiserem, visitem o meu perfil: PERFIL DO DR. DANIEL NO GO2DOC

Como eu disse, por enquanto o serviço é grátis.

Posteriormente, é possível que se torne pago.

Mas certamente vale a pena.

Depressão: Perguntas e Respostas

Depressão

Depressão é um transtorno mental, sem causa definida, que afeta o humor levando a perda de interesse e prazer em quase todas as atividades do dia a dia. O indivíduo fica triste, angustiado e irritável. Afeta cerca de 17% da população, sendo mais comum sua incidência no sexo feminino na proporção de duas mulheres para cada homem. Pode ser tratada através de medicamentos anti-depressivos (atualmente dispõe-se de grande variedade) e de psicoterapia.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Além de se sentir deprimido, para pensarmos no diagnóstico de depressão, é necessário que você tenha no mínimo quatro destes sintomas presentes nas últimas 2 semanas. Eles são:
• Mudança significativa no apetite ou no peso sem outras causas.
• Alteração no padrão de sono, geralmente insônia, mas pode ser também sonolência excessiva.
• Modificação no ritmo das atividades (tanto lentidão como agitação).
• Fadiga ou cansaço.
• Sentimentos de desesperança ou culpa inapropriada. • Dificuldade de concentração para tomar decisões.
• Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.
• Perda significativa de habilidade para se relacionar socialmente, em casa ou no local de trabalho.
• Perda de interesse ou prazer em quase todas as atividades.
• Perda de controle emocional.
• Perda de concentração e motivação.
• Sentimento de inutilidade.

QUANDO PROCURAR UM ESPECIALISTA? Se você sentir os sintomas de depressão poderá marcar consulta com seu médico generalista, que por sua vez, nos casos de incerteza sobre o diagnóstico, respostas insatisfatórias ao tratamento inicial, ou quando detectar risco de auto-agressão ou suicídio ele poderá encaminhá-lo ao psiquiatra, que é um médico especializado no tratamento de transtornos psíquicos.


QUAL O TRATAMENTO? A medicação antidepressiva é o meio mais rápido e eficaz para restaurar sua saúde mental. A psicoterapia ou aconselhamento também são usados na depressão, pois podem ajudá-lo a elucidar questões que desencadeiam o problema e a encontrar meios de prevenir novos episódios.

EM QUANTO TEMPO OS REMÉDIOS COMEÇAM A FAZER EFEITO?

A partir da segunda semana de uso. Em geral 80% dos deprimidos melhoram em quatro a seis semanas. Às vezes o médico precisará alterar a dosagem da medicação.

HAVENDO MELHORA, POR QUANTO TEMPO DEVEM SER MANTIDOS OS MEDICAMENTOS?

A mesma dose de remédio eficaz para tratar a depressão deve ser usada por cerca de 6 meses após a remissão (melhora completa) do episódio. Caso contrário, pode haver uma recaída. Após este período, é possível a redução e suspensão da dose. Em quase 50% dos casos, após alguns meses do término do tratamento, poderá haver depressão recorrente, necessitando medicamento por mais tempo.

QUANDO PROCURAR UM PRONTO-ATENDIMENTO?

Você terá necessidade de um atendimento de urgência (Pronto-Socorro) diante do agravamento dos seus sintomas ou se você tiver pensamentos de auto agressão ou suicídio.

EXISTEM AUTOCUIDADOS?

Além das indicações médicas e de outros profissionais, existem também alguns procedimentos que poderão ajudá-lo a controlar sua depressão, são eles:

• Discutir seus sentimentos com a família ou amigos.
• Procurar auxílio de um profissional.
• Evitar medicamentos não prescritos.
• Evitar bebidas alcoólicas.
• Checar com seu médico clínico se os remédios prescritos podem ter um efeito causador de depressão.
• Praticar exercícios regularmente.
• Dividir as grandes tarefas em menores, estabelecendo prioridades.
• Procurar ficar com outras pessoas, é melhor do que se isolar.
• Tentar não tomar grandes decisões, até sentir-se melhor.
• Não aceitar pensamentos negativos como seus. Eles fazem parte da doença e desaparecerão com a continuidade do tratamento.
• Tomar regularmente os medicamentos prescritos, nunca interromper o tratamento sem ordem médica.

domingo, 4 de março de 2012

Perguntas e Respostas Sobre ECT

A Eletroconvulsoterapia (ECT) consiste em um tratamento em que uma carga elétrica é aplicada na cabeça do paciente com o intuito de induzir uma crise convulsiva e assim tratar alguns transtornos psiquiátricos.

As perguntas e respostas a seguir foram extraídas do site ECT.

Questoes mais freqüentes:


O eletrochoque nao é um tratamento ultrapassado?


Muitas pessoas ficam surpresas quando descobrem que ainda se faz eletrochoque na atualidade. Infelizmente, há um grande desconhecimento por parte de muitos e um preconceito por parte de alguns a respeito da eletroconvulsoterapia (antigamente conhecida como eletrochoque). Correntes do tipo " antipsiquiatria" insistem em criticar os procedimentos psiquiátricos, correndo-se o risco de privar os pacientes de tratamentos adequados e humanos.
A eletroconvulsoterapia (ECT) foi o primeiro tratamento comprovadamente eficaz para transtornos psiquiátricos. Surgiu no final dos anos trinta (enquanto que as principais medicaçoes psiquiátricas surgiram nos anos cinqüenta) como um possível tratamento para a esquizofrenia. Contudo, com o passar do tempo, observou-se que era muito mais eficaz para o tratamento da depressao. Com o surgimento das medicaçoes, pensou-se que a ECT viria a se tornar obsoleta (como aconteceu com outros tipos de tratamento como a insulinoterapia e a induçao de febre malárica). No entanto, após a difusao do uso de medicaçoes, observou-se que estas possuíam várias limitaçoes (longo tempo para o início da açao, efeitos colaterais) e que, em alguns casos nao eram capazes de remitir o quadro. Após um tempo de declínio no uso da ECT, este foi retomado e a técnica bastante aprimorada. Surgiram aparelhos modernos que permitem um controle preciso da carga fornecida, introduziu-se a anestesia geral com relaxamento muscular e oxigenaçao, além de monitorizaçao detalhada das funçoes vitais durante o tratamento.
Nos Estados Unidos, aproximadamente 50.000 pessoas por ano recebem tratamentos com ECT. Taxas semelhantes ocorrem em outros países desenvolvidos. No Brasil nao há estatísticas a respeito do seu uso.


O eletrochoque nao é um tratamento agressivo?


Deve-se esclarecer o que se entende por "agressivo". Em geral se faz referencia a certo grau de "invasao" do procedimento no corpo do paciente. Nesse sentido, procedimentos como cirurgias gerais e neurocirurgias sao tratamentos podem ser chamados "agressivos". Em comparaçao com estes procedimentos médicos, a ECT é muito menos "agressiva", pois, como nas cirurgias, os pacientes recebem o "choque" sob anestesia e, de forma diferente das cirurgias, nao há seqüelas ou cicatrizes, havendo uma recuperaçao total.

O eletrochoque nao é uma punição?

O choque elétrico já foi utilizado de forma errada. Outros procedimentos médicos e odontológicos também já foram utilizados para fins escusos (basta citar a tortura, por exemplo). Infelizmente, técnicas boas e terapeuticas sempre correm o risco de ser utilizadas para o mal. Na atualidade, a utilizaçao de conhecimentos médicos (incluindo as técnicas de ECT) para outros fins que nao o terapeutico é considerada um crime que deve ser punido conforme a legislaçao.

O eletrochoque nao é um tratamento para pessoas loucas e violentas?

Como já explicado anteriormente, a principal utilidade da ECT é nos transtornos depressivos. Nestes, os pacientes nao estao nem "loucos" nem " violentos". Pelo contrário, as suas funçoes psíquicas estao lentificadas e o seu comportamento "calmo em excesso". Alguns pacientes vulgarmente chamados "loucos" (tecnicamente chamados "psicóticos", ou seja, que apresentam alucinaçoes e delírios) podem também se beneficiar com o tratamento com ECT. Comportamentos violentos nao sao, comumente, uma indicaçao para o uso da ECT.


O eletrochoque nao queima o cérebro?


Deve-se ter em mente que a técnica para a utilizaçao da ECT evoluiu muito nos últimos anos. Continuando com a comparaçao com outros procedimentos médicos, nao se pode comparar uma cirurgia que é realizada atualmente com a que era realizada há 50 anos atrás. No caso da ECT, os aparelhos utilizados inicialmente forneciam cargas freqüentemente muito acima do que era necessário. Além disso, nao se utilizava anestesia nem oxigenaçao. Por este motivo, alguns pacientes tinham crises muito longas e corriam o risco de sofrer uma anóxia (diminuiçao da quantidade de oxigenio ) cerebral, possivelmente com lesao. Na atualidade este risco é inexistente e todas as pesquisas sobre o assunto comprovam que nao há nenhum tipo de lesao permanente do cérebro.


O eletrochoque nao dói?


Para se evitar qualquer tipo de dor é utilizada a anestesia geral de curta duraçao (pois o tratamento dura poucos segundos).
Para que se obtenha a convulsao, a carga deve ter uma intensidade suficiente para atingir o que se chama limiar convulsivo. Este limiar varia muito de pessoa para pessoa, sendo que alguns precisam de cargas maiores e outros, menores. Caso, em uma aplicaçao, nao se atinja a carga suficiente, haverá o que se chama "crise frustra". Se nao estivesse sob efeito de anestesia, o paciente sentiria dor quando houvesse uma "crise frustra".

Realidade Virtual Usada para Tratar Doenças da Vida Real

Fonte: Medpage Today

Autora: Emily P. Walker

Tradução e Edição: Daniel Augusto Corrêa Vasques



LAS VEGAS - Um paciente com diabetes sentado no consultório de sua médica enquanto ela lhe informa que seu nível de glicose no sangue era alarmante.

Um viciado em drogas em recuperação entrou em uma festa em casa e foi recebido por um cara jovem e simpático bolando um baseado, convidando-o para sair para fumar.

Um soldado com estresse pós-traumático de repente se vê de volta no Iraque, dirigindo um Humvee ao longo de uma estrada deserta em uma missão quando uma bomba explode.

Todas as três cenas ocorrem em um sistema computadorizado de realidade virtual, mas assustadoramente realista, apresentado aqui na conferência da Sociedade de Informações de Saúde e Sistemas de Gestão (HIMSS) durante uma sessão sobre como a realidade virtual pode ser usada em um ambiente clínico.

Embora a realidade virtual seja bastante popular para o tratamento de TEPT e está ganhando força como um tratamento para dependência de drogas, ainda não "vingou" para uma ampla gama de condições, disse Ivana Steigman, MD, PhD, Diretora Médica da Thrive Research, uma empresa com base na Califórnia que desenvolve programas on-line e que visa a melhorar a saúde comportamental.

"Podemos entrar em uma realidade virtual que é um mundo diferente, seja ela um campo de batalha ou um quarto de hospital", explicou Steigman durante uma sessão de ontem de manhã sobre mundos virtuais e de saúde.

Uma vantagem de usar a realidade virtual para fins clínicos, disse ela, é que os pacientes podem criar um avatar - uma representação computadorizada de si mesmos - que interage em um ambiente virtual, podendo agir de uma maneira que os pacientes não agiriam na vida real.

"É uma plataforma para experimentar", disse Brian Levine, da SAIC, empresa que faz o programa de realidade virtual chamado OLIVE (compatível com a HIPAA, que regula os planos de saude nos EUA)

"Experimentar" poderia incluir um soldado tentando superar seu medo de explosões ruidosas, direcionando seu avatar para dirigir um Humvee em uma missão no Iraque ou mesmo indo em uma viagem à mercearia onde pode cair uma prateleira com um barulho alto parecido com explosões. Em ambos os casos, os médicos iriam monitorar as reações do soldado e falar sobre suas respostas aos ruídos altos.

A tecnologia de realidade virtual tem valor imenso em ajudar adictos em recuperação, Steigman disse. Um terapeuta trabalhando com um viciado em drogas nunca iria "provocar" essa pessoa, por exemplo, com uma garrafa de bourbon na mesa à sua frente, ela disse.

Mas em um mundo computadorizado, como revelado durante uma sessão em HIMSS, o paciente pode caminhar para um ambiente de festa que tem garrafas de bebidas alcoólicas, canudos e bongs, baseados e agulhas espalhadas. O terapeuta pode controlar a forma como o avatar do paciente reagiu ao ambiente, o que pode orientar o rumo da conversa em sua próxima reunião.

Outro uso da tecnologia virtual que ganhou alguma atenção no mundo da medicina é um jogo chamado SnowWorld, que é um mundo virtual projetado especificamente para aliviar a dor de pacientes com queimaduras.

SnowWorld é um mundo gelado virtual onde o jogador atira bolas de neve em bonecos de neve, iglus e pingüins. Pacientes colocam um capacete e jogam o jogo durante procedimentos dolorosos, como as trocas de curativos. Os primeiros estudos mostram que o jogo é como uma distração. Pacientes com queimaduras relataram significativamente redução dos níveis de dor e imagens do cérebro mostraram menos atividade nas regiões de dor do cérebro.

Embora a tecnologia de realidade virtual esteja apenas em sua infância no contexto clínico, Steigman disse à MedPage Today que ela espera que em breve será uma ferramenta mais comum para uso em uma ampla gama de condições de comportamento, incluindo fobias, vícios, distúrbios de ansiedade, e TDAH, bem como doenças neurológicas, como distúrbios do equilíbrio, doença de Alzheimer e paralisia cerebral.

sábado, 3 de março de 2012

Olanzapina de depósito é segura e efetiva no tratamento de manutenção da esquizofrenia

De acordo com os resultados de um novo estudo randomizado de prevenção de recidivas, publicado no American Journal of Psychiatry, a olanzapina injetável de longa ação é efetiva em fornecer até 24 semanas de tratamento de manutenção para pacientes com esquizofrenia.

Mais de 84% dos pacientes que recebem altas, médias e baixas doses do medicamento permanecem livres de exacerbações. Além disso, com a exceção de eventos adversos relacionados à injeção, a olanzapina injetável possui perfil de segurança e incidência de ganho ponderal semelhante à formulação oral.

“Com base nesses resultados, a injeção de olanzapina de longa ação pode representar uma importante opção para o tratamento de manutenção da esquizofrenia”, escrevem os pesquisadores.

“Esse estudo demonstrou que a formulação injetável de longa ação foi igualmente eficaz às medicações orais administradas diariamente”, o pesquisador principal, John M. Kane, médico, do Zucker Hillside Hospital, em Glen Oaks, e do Albert Einstein College of Medicine, no Bronx, ambos em Nova York, contou à Medscape Psychiatry.

“Além disso”, disse ele, “ela está disponível em dosagens diferentes e pode ser administrada uma vez ao mês, o que eu considero uma tremenda conveniência para os pacientes”.



A não-adesão é um problema enorme

A não-adesão é um grande fator de risco para recidivas e re-hospitalização nos esquizofrênicos. Contudo, “os antipsicóticos de depósito podem atenuar a não-adesão, possivelmente reduzindo o risco de recidivas”, escrevem os autores do estudo.

“Reconhecemos a não-adesão no uso de medicamentos como um enorme problema, e uma estratégia muito útil para garantir que pacientes saudáveis recebam um benefício ótimo de sua medicação é administrá-la via injeção de longa ação”, acrescentou o Dr. Kane.

Os pesquisadores buscaram avaliar se pacientes estáveis “que trocaram diretamente da olanzapina oral para a injeção de longa ação poderiam manter a estabilidade clínica com as mesmas taxas de recidiva que os pacientes que continuaram usando a formulação oral”. Eles também avaliaram a segurança e a tolerabilidade.

Um total de 1.065 pacientes esquizofrênicos ambulatoriais, com idades entre 18 e 75 anos, foram inscritos em 112 centros em 26 países entre julho de 2004 e setembro de 2006 e inseridos em uma fase de conversão/estabilização de 4 a 8 semanas. Nela, eles tiveram suas medicações antipsicóticas anteriores abertamente trocadas para monoterapia com olanzapina oral, nas doses de 10, 15 ou 20 mg/dia.

Na conclusão desta fase, os pacientes que preencheram os critérios de estabilização foram então randomizados a receber 24 semanas de sua dose estabilizada de olanzapina oral (n = 322) ou da forma injetável de longa ação do medicamento (n = 743).

Os pacientes randomizados a receber a olanzapina injetável foram posteriormente divididos em grupos de acordo com a dose – alta (300 mg a cada duas semanas, n = 141), média (405 mg a cada 4 semanas, n = 318), baixa (150 mg a cada duas semanas, n = 140), ou muito baixa (45 mg a cada 4 semanas, n = 144).

Todos os pacientes receberam 4 comprimidos orais de medicamento ou placebo diariamente e uma injeção (medicamento ou placebo) a cada 2 semanas.

Os pesquisadores utilizaram as escalas: Positive and Negative Syndrome Scale (PANSS), a PANSS-derived Brief Psychiatric Rating Scale (BPRS) e Clinical Global Impressions–Severity of Illness (CGI-S) para avaliar a gravidade dos sintomas.



Maioria dos pacientes livre de exacerbações

Os resultados evidenciaram que 93% dos pacientes que receberam a olanzapina oral continuaram livres de exacerbações, comparados a 95% dos pacientes que receberam altas doses da injeção, 90% daqueles que receberam doses médias, 84% daqueles que receberam doses baixas e 69% daqueles que receberam doses muito baixas.

Além disso, “o regime terapêutico de 4 semanas (doses médias) e os regimes de 2 semanas agrupados (doses baixas e altas) demonstraram eficácia similar ao da olanzapina oral, bem como entre eles”, escrevem os autores do estudo.

Embora todos os grupos do medicamento oral e da injeção nas 3 doses mais altas tenham mostrado um controle suficiente dos sintomas ao longo do estudo com escores totais médios do PANSS mantidos na metade dos 50, o grupo de doses muito baixas evidenciou uma diminuição significativa com o tempo na metade dos 60. Padrões semelhantes foram observados para escores nas subescalas do PANSS, do BPRS e do CGI-S.

A incidência de ganho ponderal superior a 7% do peso inicial foi de 21% no grupo do medicamento oral vs 21%, 15%, 16% e 8% nos grupos de injeção em doses altas, médias, baixas e muito baixas, respectivamente.

Embora não tenha havido diferenças clinicamente significativas entre os grupos nos parâmetros gerais de segurança, 3% dos pacientes que receberam a olanzapina injetável apresentaram reações no local da injeção. Além disso, 2 desses pacientes experimentaram “sedação e delírio consistentes com overdose de olanzapina após uma possível injeção intravascular acidental”, reportam os autores do estudo. Todavia, esses pacientes recuperaram-se completamente 60 horas após a injeção.

Visto que ocorreram injeções intravasculares inadvertidas em 0,07% das injeções em todos os ensaios com a olanzapina de longa ação, os autores do estudo observam que pacientes que receberam o tratamento devem ser observados por 3 horas após a injeção.

“A eficácia global das doses de [injeção] pareceu comparável à da olanzapina oral, sem diferenças aparentes no uso de intervalos de dosagem de 2 e 4 semanas”, resumem os autores do estudo. “Entretanto, houve evidência de um efeito da dose nas doses altas, médias e baixas, visto que as doses mais altas foram superiores às mais baixas”.

O grupo de altas doses também experimentou um ganho ponderal maior, um aumento na prolactina, e uma incidência mais alta de mudança de níveis normais de triglicerídeos para altos. “Assim, estratégias para reduzir o ganho ponderal e outras mudanças nos parâmetros metabólicos devem ser consideradas”, aconselham os autores do estudo.

O Dr. Kane acredita que os antipsicóticos injetáveis de longa ação devem ser utilizados com mais frequência para evitar recidivas devido a não-adesão dessa população de pacientes. Vários estudos mostram que mais de 50% dos pacientes com esquizofrenia têm dificuldades em tomar suas medicações orais.

“O uso de medicações injetáveis de longa ação realmente deve ser considerado com muito mais frequência do que atualmente é. Isso significa sentar com os pacientes e, junto com eles, tentar encontrar uma estratégia mutuamente aceitável para mantê-los bem”, disse o Dr. Kane.



Adição valiosa

“Existem poucas medicações de depósito disponíveis [para a esquizofrenia] e, portanto, a olanzapina de depósito é uma adição valiosa para nossa farmacopéia”, escreve John M. Davis, médico, professor de psiquiatria da University of Illinois, em Chicago, em um editorial adjunto.

“A razão mais frequente para a recidiva é o fato de que os pacientes não tomam suas medicações orais”, disse o Dr. Davis à Medscape Psychiatry. “Medicamentos de depósito podem solucionar este problema desde que o paciente venha tomar as injeções. Os médicos que trocam o tratamento oral pelo de depósito percebem que podem impedir a recidiva em até 75% desses pacientes”.

Em uma avaliação independente do viés de patrocínio deste ensaio, o Dr. Davis e colaboradores concluíram que os resultados não mostram nenhum efeito do patrocínio.

“De modo geral, eu considero este um estudo excelente e muito bem feito”, afirmou o Dr. Davis. “Para usar esse medicamento com eficácia, os médicos precisam conhecer a dose certa a ser administrada. Os dois grandes erros com a medicação de depósito é não utilizá-la quando há um paciente com muitas recidivas ou utilizá-la em uma dose muito baixa, o que pode levar a mais recidivas”.



Esse estudo foi financiado pela Eli Lilly. Os autores do estudo declararam várias relações financeiras; a lista completa pode ser encontrada no artigo original. O Dr. Davis não declarou quaisquer relações financeiras relevantes.

Fonte: Am J Psychiatry. 2010;167:181-189.

Risperidona: melhor para tratamento inicial de Mania na infância

Um novo estudo mostrou que o medicamento antipsicótico risperidona é significativamente superior ao lítio e ao divalproato de sódio para o tratamento inicial da mania em crianças, e é melhor tolerado, embora essa medicação tenha efeitos metabólicos potencialmente graves que elevam a preocupação quanto ao seu uso prolongado.

“Esse é um dos maiores estudos e eu acho que uma das investigações mais rigorosas do tratamento da mania na infância,” disse uma das autoras do estudo, Joan L. Luby, MD, professora de psiquiatria da infância, Washington University, St. Louis, Missouri. “Ele fornece informação aos médicos sobre qual a melhor droga a se utilizar primeiro.”

O estudo, financiado pelo National Institute of Mental Health, foi publicado online em 2 de janeiro no Archives of General Psychiatry.

Comparação em três vias

O estudo de oito semanas Treatment of Early Age Mania (TEAM) foi um estudo controlado, randomizado, de comparação paralela entre a risperidona (n = 89), o carbonato de lítio (n = 90), e o divalproato de sódio (n = 100) em pacientes virgens de medicações antimaníacas, conduzido em 5 centros nos EUA.

O estudo incluiu participantes entre 6 e 15 anos com um diagnóstico pelo DSM-IV de transtorno bipolar tipo I, episódio maníaco ou misto, por no mínimo 4 semanas consecutivas e aqueles com escore na Children’s Global Assessment Scale (CGAS) de 60 ou menos. A escala CGAS fornece uma medida da gravidade com base na capacidade funcional da criança nas atividades em casa, na escola e na sociedade; um escore de 60 ou menos significa comprometimento clínico.

A randomização foi realizada por grupo de idades (6 a 12 anos e 13 a 15 anos) e pela presença ou ausência de mania mista, psicose ou ciclagem rápida diária. Com base no Washington University in St. Louis Kiddie Schedule for Affective Disorders and Schizophrenia (WASH-U-KSADS), para que sintomas maníacos fossem considerados, a gravidade devia ser de 4 ou mais (moderado a grave), consistente com comprometimento clínico significativo. A mania mista requeria o preenchimento dos critérios do DSM-IV para ambos os transtornos maníaco e depressivo em períodos de tempo que se sobrepunham.

Os sujeitos receberam lítio (nível sérico médio: 1,09 mEq/l), divalproato de sódio (nível sérico médio: 113,6 µg/ml), ou risperidona (dose média: 2,57mg) em duas doses diárias. O desfecho primário medido foi a escala Clinical Global Impression for Bipolar Illness Improvement – Mania (CGI-BP-IM) com resultados de 1 ou 2, indicando uma melhora muito importante ou importante, considerada como resposta.

Descontinuidade do tratamento

Dos 279 sujeitos, 24,7% interromperam o tratamento. A taxa de descontinuidade foi significativamente maior naqueles inscritos para uso de lítio do que naqueles em uso de risperidona (32,2% versus 15,7%, P = 0,011), mas não diferiu entre os grupos da risperidona e divalproato de sódio (15,7% versus 26,0%, P = 0,09) ou entre os grupos do lítio e divalproato de sódio (32,2% versus 26,0%, P = 0,35).

“As crianças não utilizaram essas drogas (lítio e divalproato de sódio) por muito tempo; por alguma razão eles foram menos tolerantes a essas drogas e então interromperam o tratamento durante o estudo,” disse a Dra. Luby.

Os sujeitos tratados com risperidona tiveram uma taxa de resposta significativamente maior que aqueles tratados com lítio (68,5% [n = 61] versus 35,6% [n = 32], P < 0,001) e que aqueles tratados com divalproato de sódio (68,5% [n = 61] versus 24,0% [n = 24], P < 0,001). Não houve diferença significativa entre a taxa de resposta na comparação entre o lítio e o divalproato de sódio.

“O estudo mostrou que a risperidona foi significativamente mais efetiva que os outros dois estabilizadores de humor mais antigos,” disse a Dra. Luby.

Os desfechos foram similares para os grupos de maior e menor idade, para sujeitos com ou sem psicose, e para aqueles tomando ou não estimulantes.

Ganho de peso

Embora a risperidona tenha mostrado uma resposta superior, o ganho de peso médio para os participantes tratados com essa medicação foi significativamente maior do que daqueles em tratamento com lítio (3,31kg versus 1,42kg, P < 0,001), assim como o aumento médio no índice de massa corporal (IMC) (1,37 versus 0,37, P < 0,001). A média do ganho de peso e do aumento do IMC também foi significativamente maior no grupo da risperidona que no grupo do divalproato de sódio.

Além disso, houve uma diferença significativa no aumento dos níveis do colesterol de baixa densidade e na redução do colesterol de alta densidade que favoreceram o grupo do divalproato de sódio comparada com o grupo da risperidona.

“Uma das desvantagens da risperidona foi que as crianças ganharam significativamente mais peso e também tiveram maiores elevações no colesterol 'ruim'”, disse a Dra. Luby. “Essa medicação também causa alterações metabólicas que são fatores de risco conhecidos para o desenvolvimento de diabetes.”

Mas também existem desvantagens com as outras drogas. Ambas causaram algum ganho de peso, e o lítio elevou significativamente os níveis de tirotropina.

O estudo teve uma taxa relativamente elevada de eventos adversos, mas como não houve grupo placebo, é impossível determinar se esses estão realmente verdadeiros, disse a Dra. Luby. Eles poderiam refletir o rigor dos testes utilizados no estudo para avaliação dos efeitos adversos.

A limitação do estudo foi que não houve medida diagnóstica biológica válida para o transtorno bipolar na infância. Embora o estudo tenha seguido rigorosamente o consenso diagnóstico, os achados não podem ser generalizados para estudos que utilizaram outros métodos. Além disso, havia poucos participantes não psicóticos para análise significativa nesse subgrupo.

O estudo fornece aos médicos evidência documentada da superioridade da risperidona, disse a Dra. Luby. No passado, os médicos podem ter usado essa medicação mais frequentemente em crianças com mania por ser relativamente fácil de usar, “mas nós não tínhamos um estudo empírico de larga escala como essa comparação em três vias até agora,” disse a Dra. Luby.

Custo e benefício

Convidada para comentar, Gabrielle A. Carlson, MD, professora de psiquiatria e pediatria de Diretor de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Stony Brook University School of Medicine, Stony Brook, New York, disse que o estudo reforçou o que já era conhecido.

“Casos que evoluem com crianças com TDAH oposicional e agressiva, que algumas pessoas chamam de bipolar, correspondem a maior parte dos dados quanto ao uso do antipsicótico atípico risperidona. É certamente a droga mais efetiva, mas tem o seu custo.”

Ao tratar essas crianças, devem-se considerar esses custos e benefícios potenciais, disse a Dra. Carlson.

“Se você está lidando com crianças com problemas triviais, esse provavelmente não é o preço mais justo”. Em contrapartida, pode ser adequado se, “ao final de 8 semanas de tratamento você é capaz de levar a criança de volta para a escola, com um relacionamento razoável com seus pais e colegas e com melhora no seu funcionamento”.

Atualmente, muitos profissionais estão excessivamente assustados com os efeitos colaterais metabólicos e cardiovasculares de alguns antipsicóticos, enquanto muitas dessas crianças afetadas estariam “internadas em um hospital; algumas delas tendo abandonado a escola.”

O estudo foi financiado pelo National Institute of Mental Health. A Dra. Luby relatou receber fundos do NIMH e recursos de medicamentos da Abbott. Ela também relata as seguintes relações: emprego na Washington University School of Medicine in St. Louis; fundos e/ou fundos pendentes do NIMH, da National Alliance for Research on Schizophrenia and Depression, e do CHADS; e financiamento da Guildford Press. Para informações de conflito de interesse dos outros autores, veja o artigo original.




Arch Gen Psychiatry. Publicado online Jan 2, 2012.


Autora: Joan L. Luby

sexta-feira, 2 de março de 2012

Produtividade médica

Extraído de: Rondônia Agora

Algumas instituições de saúde no receio de premiar os ociosos se arvoram em estabelecer quantitativo de atendimentos ambulatoriais que cada médico terá que cumprir numa determinada carga horária de trabalho. O estabelecimento deste critério para aferição da competência do médico é mais frequente em hospitais públicos, pois não raro são dirigidos por pessoas despreparadas, que não dominam o conhecimento e os fatores determinantes do bom exercício da medicina. Na verdade, os critérios políticos são o móvel de tais medidas, pois para o dirigente nenhuma ação vale a pena se não for capitalizada eleitoralmente. E nessa lógica perversa e imoral quanto mais pacientes forem atendidos, potencialmente mais eleitores serão granjeados, independentemente da qualidade do atendimento. Esses gestores ignoram a impossibilidade de se planificar, aprazar e modelar o atendimento médico, porque o exercício da medicina não pode ser mensurado por planilhas numéricas.
O médico não trabalha em uma linha de montagem. Cada atendimento tem características próprias, onde dentre outros elementos são considerados: a complexidade da patologia a ser diagnosticada; o perfil de cada paciente; por fim, o relacionamento médico/paciente, indispensável à humanização do atendimento.
É cediço que o exercício da medicina tem sofrido modificações ao longo do tempo por vários fatores, tanto científicos quanto sociais e até mesmo financeiros. Porém, no caso da saúde pública no Brasil observa-se total ausência de uma política objetiva nos vários níveis de governo, fato este que deixa o médico tutelado às ordens de serviços, portarias, regimentos, ceifando dentre outras coisas a liberdade profissional para o correto julgamento, tendo por conseqüência a automação do atendimento, a despersonalização do paciente que com razão se sente discriminado quando busca ser ouvido e examinado com interesse. Ou seja, é quebrado por completo um dos fatores mais relevantes do exercício da medicina: a relação médico/paciente. Um dos esteios do exercício da medicina é a sua autonomia, e o médico jamais poderá dela dispor, pois trata-se de um dos postulados éticos que maior caracteriza a sua atividade profissional. Neste sentido o Código de Deontologia Médica estabelece em seu artigo 27 que é direito do médico “dedicar ao paciente, quando trabalhar com relação de emprego, o tempo que sua experiência e capacidade profissional recomendarem para o desempenho de sua atividade, evitando que o acúmulo de encargos ou de consultas prejudique o paciente”.
Prescinde dizer que nesse julgamento, deve o médico guiar-se pela ética e boa fé, sob pena de perder sua legitimidade. Assim, não restam dúvidas que fere frontalmente a legislação de regência qualquer ordem que tente impor ao médico número mínimo de atendimento em determinada carga horária, devendo o profissional se rebelar contra determinação deste naipe mediante os meios jurídicos postos ao seu dispor.
Cândido Ocampo, advogado atuante no ramo do Direito Médico.

TOC por Dra. Ana Beatriz Silva

Autora do livro "Mentes e Manias" em entrevista sobre TOC.

Parte 1:







Parte 2:





Conheça mais sobre o Tratamento do Déficit de Atenção e Hiperatividade

Fonte: O Diário de Maringá

O TDAH é uma doença que atinge mais de 5% das crianças brasileiras e pode acompanhá-las até a vida adulta. O maior poblema é identificar corretamente os sintomas, para assim dar início ao tratamento. Observe as seguintes situações: falta de atenção, concentração, problemas de relacionamentos com outras pessoas, queda no rendimento escolar, hiperatividade e ansiedade, esses são os principais sintomas da doença.Assista ao vídeo da psiquiatra da infância e adolescência e professora adjunta do departamento de pesquisa da Unifesp, Maria da Conceição do Rosário, que esclarece as principais dúvidas sobre a doença.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O lado B das comunidades terapêuticas

Fonte: O Correio do Povo

Conselho Federal de Psicologia identificou violações dos direitos humanos em 68 entidades no país. Em Santa Catarina, seis foram vistoriadas

Embora sejam reconhecidas em muitos municípios como um serviço de utilidade pública, com convênios assinados com órgãos públicos e Prefeituras, no final do ano passado as comunidades terapêuticas se viram envolvidas em um conflito com o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e o Ministério da Saúde. Uma inspeção em 68 comunidades, localizadas em 25 Estados, apontou violações de direitos humanos em todas elas. Para os presidentes das entidades locais, o CFP está mal informado e fez um julgamento precipitado.

No final de 2011, a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia publicou um relatório após avaliar as condições e o tratamento dos pacientes nos hospitais psiquiátricos (em 2004), nas unidades de cumprimento de medida socioeducativas (em 2006) e os asilos de idosos (em 2007).

Então, em sua 4ª Inspeção Nacional de Direitos Humanos, a comissão voltou os olhos para as unidades de acolhimento de usuários de álcool e outras drogas. A verificação, realizada em setembro passado, foi motivada por denúncias recebidas pela Rede Nacional Internúcleos de Luta Antimanicomial (Renila).

Os resultados revelaram que em todas as 68 comunidades terapêuticas inspecionadas havia violações de direitos humanos, desde maus tratos físicos a invasão de correspondências particulares, passando por imposição de crença e desrespeito a orientação sexual dos internos.

Na avaliação da comissão, os problemas não são casos isolados e se originam no modelo de tratamento. “O modo de tratar ou a proposta de cuidado visa forjar − como efeito ou cura da dependência − a construção de uma identidade culpada e inferior. Isto é, substituir a dependência química pela submissão a um ideal, mantendo submissos e inferiorizados os sujeitos tratados. Esta é a cura almejada”, diz o documento.

A publicação do relatório resultou na abertura de um inquérito pelo Ministério da Saúde para apurar as denúncias, o que também foi feito pelo Ministério Público. Em Santa Catarina, foram visitadas seis entidades – três delas em locais de difícil acesso, o que viola a alegação de internação voluntária.

Com exceção de uma entidade, atividades religiosas eram impostas aos internos, sem equipe técnica em tempo integral, além de obrigar os internos a trabalhar em troca de alimentação e estadia. E mesmo na unidade com equipe completa e sem um regime de trabalho por estadia, havia o uso de mão de obra não remunerada, e foi detectado desrespeito a crença ou ausência da mesma.


Investigação desagrada presidentes

Das seis entidades investigadas pelo Conselho Federal de Psicologia, nenhuma fica em Jaraguá do Sul, mas o relatório não agradou os responsáveis por comunidades terapêuticas do município.

Na visão do presidente da Comunidade Terapêutica Vida Nova, Arsanjo Colaço, o Conselho está sendo precipitado. “Não dá para julgar todas as comunidades terapêuticas com base em só algumas, que mal merecem esse nome. O que nós fazemos é pautado em ética, e creio que não haja violações em nenhuma das comunidades que eu conheço no Estado” comenta.

Porém, ele reconhece a importância dessas inspeções. “Ao meu ver, este não era o trabalho do CFP, mas eles tomaram a iniciativa para algo que tinha que ser feito. O erro foi em prejulgar as comunidades terapêuticas como sendo só aquilo”, explica.

Já para o presidente da Comunidade Terapêutica Novo Amanhã, Inácio Carreira, o CFP está procurando confusão. “Esses lugares que eles foram nem merecem ser chamados de comunidades terapêuticas, eles pegam o que há de pior e dizem que são todas assim”, reclama.

Segundo a psiquiatra de Jaraguá Andrea Galastri, existem vários regulamentos referentes às comunidades terapêuticas – embora nem todas os cumpram. “As comunidades terapêuticas aceitam apenas casos de dependência química, não qualquer patologia psiquiátrica e apenas indivíduos que estejam desejando este tipo de intervenção” ressalta, adicionando que a internação por período prolongado nunca deve ser a primeira opção.

Internações só em último caso

Hoje a socialização é fundamental para tratar pacientes psiquiátricos, contrariando o modelo antigo que visava o isolamento

Embora as políticas públicas para a saúde mental visem à preservação da socialização do paciente e a internação psiquiátrica seja um recurso para crises, essa nem sempre foi a realidade. Se hoje os direitos do paciente mental são protegidos, isso é resultado de um longo processo de luta antimanicomial que começou no século passado.

Segundo a Rede Nacional Internúcleos de Luta Antimanicomial (Renila), durante muito tempo a tendência era “higienizar” a sociedade, mantendo os “loucos” fora da vista pública. Era com essa mentalidade que funcionavam os manicômios, padrão de tratamento mental desde o final da Idade Média. É também a fonte dos chamados “quartos da vergonha”, comuns em algumas casas antigas: quartinhos isolados, em que parentes com transtornos mentais graves eram mantidos fora do convívio social.

Conforme a psiquiatra Andrea Galastri, os antigos manicômios careciam de suporte e condições adequadas, o que resultava no descaso com os pacientes. “Os pacientes permaneciam internados por longos períodos, às vezes anos, agravando seus quadros e os distanciando cada vez mais da família e convívio social”.

Hoje, as internações se restringem a casos especiais, as regulamentações garantem a dignidade e o contato familiar. “Hospitais que estão fora deste padrão deveriam ser reorganizados, e não fechados, precisamos de leitos psiquiátricos”, afirma.

Ela ressalta que o regime de internação é dedicado para pacientes que perderam a percepção de si mesmo e da doença. “E mesmo nas doenças em que isso ocorre, como esquizofrenia e depressão psicótica, a internação é apenas para a fase aguda da doença”, nota, adicionando que a internação costuma ser breve, para evitar a alienação social.

Reforma começou na Itália

Principal causa das mudanças na legislação e no tratamento dos pacientes psiquiátricos, a reforma psiquiátrica começou a ganhar destaque em Trieste. Em 1971, o diretor do Serviço Hospitalar da cidade, Franco Basaglia, ordenou o fechamento de todos os manicômios locais, iniciando o aperfeiçoamento no tratamento psiquiátrico italiano, consumado em 1978 com a lei Basaglia.

No Brasil, o reconhecimento dos direitos do portador de transtornos psiquiátricos surge na lei com a Constituição de 1988 – a anterior, de 1964, não considerava os portadores de transtornos mentais graves - como esquizofrenia e transtorno bipolar – cidadãos de qualquer espécie, e como dependentes legais de parentes e terapeutas. Até o final dos anos 80, ainda eram comuns os hospitais colônia – em locais ermos, mantendo os “loucos” longe da sociedade.
A defesa dos direitos do paciente ganha força em 1990, quando o Brasil se compromete com os termos da conferência

“Reestruturación de la Atención Psiquiátrica en la Región”, promovida pela Organização Panamericana de Saúde (OPS) e a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A partir de 1992, são estabelecidas as diretrizes de tratamento mental, substituindo o tratamento manicomial, como leitos psiquiátricos em hospitais gerais, e definindo os padrões mínimos para o atendimento nos hospitais psiquiátricos. As diretrizes foram reforçadas em 2001, com a atual política nacional de saúde mental.

Núcleo alerta para retrocessos

Segundo o Observatório de Saúde Mental e Direitos Humanos da Renila, a situação ainda é frágil e pode sofrer retrocessos. Em uma carta aberta para a presidente Dilma Rousseff, a entidade declara: “Apostamos que o atual governo irá avançar e aprofundar esse processo emancipatório, extinguindo os manicômios ainda existentes e em funcionamento e ampliando a rede substitutiva, contudo, estamos neste momento, seriamente preocupados com o futuro e os rumos da saúde mental brasileira”, complementando que o temor se dá nas soluções propostas para a questão das drogas e do álcool.

“O primeiro e mais grave risco diz respeito ao modo como a questão é colocada: ameaça, que fundada na cultura do medo, produz pânico e autoriza a violência, além de solicitar respostas precipitadas e superficiais. A apresentação de soluções mágicas, de respostas totais e plenas de garantias é não apenas ilusório, mas, sobretudo falacioso. Preocupa-nos, de modo particular, a defesa da internação compulsória e das comunidades terapêuticas, dois modos de resolver a questão recorrendo à exclusão e a segregação”, complementa.

O Conselho Federal de Psicologia também expressa preocupação com o tratamento de pacientes psiquiátricos e dos dependentes químico – esses tratados comumente como criminosos. “Como ocorreu na história da institucionalização da loucura, uma questão social − o consumo de drogas − vem sendo tratada como questão de polícia. O sentido do encarceramento fundamenta-se nesta percepção”, afirma o CFP nas conclusões do relatório da 4ª Inspeção Nacional de Direitos Humanos.

Doentes Mentais Frequentemente Alvos de Violência

Fonte: Medpage


Tradução e Edição: Daniel Augusto Corrêa Vasques

Um em cada quatro pessoas com transtornos mentais experimenta algum tipo de violência em um determinado ano, uma taxa muito maior do que experimentada pelo resto da população, um estudo mostrou.

As chances de uma pessoa com doença mental ter sofrido violência física, sexual ou doméstica, foram 3,86 vezes maior que entre adultos sem qualquer deficiência, embora com um intervalo de confiança amplo que não alcançou significância estatística, Mark A. Bellis, DSc, de Liverpool John Moores University, em Liverpool, Inglaterra, e colegas descobriram.

Violência contra pessoas portadoras de outras deficiências também era comum, o grupo relatou on-line em The Lancet.

A taxa de prevalência do ano anterior foi de 6% entre aqueles com deficiência intelectual e 3% entre aqueles com outras deficiências inespecíficas.

Em vez de compaixão para com os adultos com deficiência como vítimas de violência, o público muitas vezes teme a violência deles, principalmente aqueles com doença mental grave, Esme, Fuller-Thomson, e Sarah Brennenstuhl, ambos da Universidade de Toronto, observou em um editorial de acompanhamento.

Maiores investigações são claramente necessárias, mas a triagem parece apropriada, eles sugeriram.

"Os programas antiviolência devem ser implementadas em ambientes relacionado à deficiência , incluindo a formação da equipe, que muitas vezes é mal informada sobre temas relacionados à violência", escreveram eles. "Nos centros de saúde mental, programas de capacitação baseados em prevenção da violência para as pessoas com doença mental grave são recomendados para reduzir o risco de revitimização".

Uma das razões para a especial vulnerabilidade das pessoas com doenças mentais podem ser as dificuldades interpessoais inerentes a estas condições, os pesquisadores notaram.

Outros contribuintes para a violência contra pessoas com deficiência parece ser a exclusão da educação e do emprego, a necessidade de assistência pessoal na vida diária, redução de defesas físicas e emocionais, barreiras de comunicação, estigma social e discriminação, acrescentaram.

A meta-análise incluiu 21 estudos que relatavam estimativas de prevalência de violência contra adultos com deficiência (principalmente de 18 anos), de 1990 a 2010 que se enquadram aos critérios de selecção rigorosos de qualidade e relatórios que permitam a reunião dos resultados.

As chances de violência física contra parceiro sexual ou íntimo nos últimos 12 meses em comparação com indivíduos sem incapacidade foram:

50% maior para indivíduos com alguma deficiência (intervalo de confiança de 95% [IC] 1,09-2,05)
31% maior para pessoas com deficiência inespecíficos (95% CI 0,93-1,84)
60% maior para pessoas com deficiência intelectual (95% CI 1,05-2,45)
286% maior para os doentes mentais (95% CI 0,91-16,43)

Os pesquisadores alertaram que os seus critérios de inclusão provavelmente subestimam a prevalência da violência contra as pessoas portadoras de deficiência.

"Exposição à violência ao longo da vida, e as proporções de indivíduos com deficiência que são diretamente ameaçados com violência ou então vivem com medo de se tornarem uma vítima, são susceptíveis de serem substancialmente maiores do que nossa estimativa", escreveram eles no artigo.

Na busca não apareceu nenhum estudo de violência contra pessoas com deficiências intelectuais em contextos institucionais, embora essas pessoas muitas vezes sejam consideradas especialmente vulneráveis. Nem foram incluos os estudos de indivíduos com deficiências sensoriais porque nenhum preencheu os critérios de inclusão.

Outra razão para a estimativa conservadora é que os estudos inclusos vieram em grande parte de países de alta renda, com apenas um da África do Sul como representante de renda média, enquanto que 80% da população mundial com deficiência vive em países de média e baixa renda, onde os índices de violência são muitas vezes maior.

Outras limitações foram a heterogeneidade substancial na maioria das estimativas de prevalência e elevada incerteza em torno das estimativas de risco.

Antidepressivos aumentam a chance de queda em pacientes com demência

Fonte: Medpage Today

Traduzido e editado por: Daniel Augusto Corrêa Vasques

Moradores de asilos com demência enfrentam um risco significativamente maior de quedas se estiverem tomando inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS)*, de acordo com um estudo retrospectivo holandês

Houve um aumento de quase três vezes no número de quedas observadas nos pacientes sob efeito de qualquer tipo de medicação antidepressiva, relatou Tischa JM van der Cammen, MD, PhD, e colegas da Universidade Erasmus Medical Center, em Roterdã, na Holanda. Quando os subgrupos de antidepressivos foram analisados, apenas ISRS apresentaram um risco significativo de quedas prejudiciais.

O risco de queda aumentou significativamente com um quarto da dose diária definida de um ISRS (31%) e, novamente, metade dose diária definida (73%). O risco deu um salto de 198% em uma dose diária completa, de acordo com o estudo no British Journal of Clinical Pharmacology. O risco aumentou ainda mais em combinação com um hipnótico ou sedativo, disseram os autores.

Os pacientes tratados com ISRS têm maior risco de quedas, mas entre aqueles com demência, o risco de quedas prejudiciais por dose de tratamento não foi estabelecida. Os pesquisadores queriam saber se havia uma relação dose-resposta entre o uso de ISRSs e quedas em seu estudo.

O uso de medicamentos e as quedas foram registradas entre 248 moradores de asilos com demência. O período de tempo abordado foi entre 1 de janeiro de 2006 e 1 de janeiro de 2008. O uso de medicamentos diários para cada paciente foi captado a partir do banco de dados do asilo. Informações sobre as quedas e as lesões subsequentes vieram de um sistema padronizado de incidentes. Havia 85,074 pessoas-dia no conjunto de dados resultante.

Todos os moradores preencheram os critérios para um diagnóstico de demência a partir do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV-TR). A gravidade da demência foi definida como estágio 5 ou estágio 6 da Escala de deterioração global com base em avaliações regulares da equipe de tratamento.

As drogas foram codificadas de acordo com sua classificação Anatomical Therapeutic Chemical. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a dose diária definida é a dose média de medicamento tomado para a principal indicação.

Na análise mais ampla, significativas relações dose-resposta foram vistos no uso de sedativos ou hipnóticos e antidepressivos em geral. Quando os autores deram uma olhada nos subgrupos de antidepressivos, apenas a relação entre quedas e ISRSs alcançou significância.

O estudo teve algumas limitações. Foram analisadas apenas quedas com lesões, em vez de quedas em geral, e isso significar que os pacientes com depressão tinham mais chances de ter suas quedas registradas como prejudicial. Eles também tinham maior probabilidade de tomar um ISRS, que poderia ter levado a uma supervalorização dos resultados.

Confunsão na indicação foi outra possível limitação no estudo, já que a depressão subjacente, por si só, pode predispor pessoas a quedas. Além disso, os sintomas neuropsiquiátricos e distúrbios comportamentais podem conduzir a um risco aumentado de queda e / ou resultam em doses mais elevadas de medicação. Da mesma forma, a presença de ISRS pode ter causado a inibição farmacocinético do metabolismo de outros medicamentos.

"A principal descoberta do estudo, em residentes de asilos com demência é que existe uma relação dose-resposta entre o uso de ISRSs e uma queda com lesão posterior", escreveram os autores. "O risco de uma queda prejudicial aumentou com doses crescentes de antidepressivos."

No entanto, os resultados estavam em linha com estudos anteriores que demonstram uma ligação entre o uso de ISRSs e quedas prejudiciais. O presente estudo oferece novas informações sobre este risco em uma população mista de asilos, disseram os autores. "Até onde sabemos, o nosso é o primeiro estudo que avaliou a relação dose-resposta entre ISRS e risco de queda prejudicial em residentes de asilo com demência", escreveram eles.

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